Segunda-feira, Maio 20, 2013

CAP. FRAG. EMQ Fernando Nóbrega de Lima

Lamento dar a conhecer o falecimento esta manhã, no Hospital da Cruz Vermelha, do nosso camarada Cap. de Fragata  EMQ Fernando Nóbrega de Lima.

À sua Família e aos seus camaradas de curso apresento as minas condolências.

Sexta-feira, Maio 17, 2013

Os 70 Anos do Curso D. João de Castro

Em 9 de Maio de 2013, os oficiais sobreviventes do Curso “D. João de Castro” comemoraram a efeméride dos seus 70 anos como militares da Armada. Para recordação fiz um DVD que é uma retrospectiva dos nossos convívios, desde que ingressamos na Escola Naval. Mistura de fotos e clips de vídeo. Algumas das fotos:

Quinta-feira, Maio 16, 2013

Saudades do Conselho da Revolução

Claro que se trata duma imagem. Mas serve bem para colocar uma questão de fundo: estarão todos os militares bem conscientes do Estado de direito democrático que juraram defender - directamente ou através do compromisso que assumiram em tomadas de posse?
Eis o tema do meu artigo de hoje no DN.
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3221935&page=-1

Quarta-feira, Maio 15, 2013

CMG (R) Mário Baptista Coelho

A pedido das filhas do falecido Cte. Baptista Coelho "Bill", informo que a Missa de Sétimo Dia terá lugar na Igreja da Parede na próxima 6ª feira, dia 17 às 18;30.

Uma Experiência Falhada

O V/Almirante Lopo Cajarabille escreveu, na edição de Maio da Revista da Armada, um texto com o título "Uma Experiência Falhada", no qual analisa uma decisão política tomada para a reorganização das Forças Armadas do Canadá, e cuja leitura recomendo. 
Os resultados da tentativa de integração e correspondente unificação dos 3 Ramos das Forças Armadas obteve os resultados objectivos explicitados nesse texto e que devem ser tidos em consideração como "lições aprendidas", no aplicável ao desiderato procurado no âmbito da reestruturação das Forças Armadas Portuguesas.

Para o lerem é suficiente que sigam esta hiperligação.

Domingo, Maio 12, 2013

CMG Mário Baptista Coelho (Funeral)

Detalhes que chegaram ao meu conhecimento:

Hoje, Domingo pelas 15 horas, o corpo do Comandante Baptista Coelho irá para a Igreja da Parede.

Amanhã segunda-feira será celebrada pelas 14h15, e na mesma igreja, uma missa  após a qual o funeral seguirá para o cemitério de Rio de Mouro onde o corpo será cremado pelas 16h.

Sábado, Maio 11, 2013

CMG (R) Mário J. S. Baptista Coelho

Segundo notícia acabada de receber, faleceu esta tarde em sua casa o CMG Ref. Mário Baptista Coelho (Bill).

Não detenho qualquer informação sobre cerimónias fúnebres, mas apresento, desde já, as minhas condolências à sua Família, a todos os seus numerosos amigos, e em particular aos Camaradas do Curso Pêro de Alenquer.

TERRA-MAR-E-GUERRA - Cogitações de um Marinheiro Alentejano


TERRA-MAR-E-GUERRA  -  Cogitações de um Marinheiro Alentejano



Conforme anteriormente anunciado neste blogue, ocorreu no Clube Militar Naval em 23 de Abril, presidida pelo respectivo Presidente da Direcção – Comandante Carlos Picoito, uma Sessão de Lançamento do livro da autoria do Comandante José Faustino Ferreira Júnior “TERRA-MAR-E-GUERRA - Cogitações de um Marinheiro Alentejano”. 





A Apresentação do Livro foi feita pelo C/Almirante MN Rui Abreu, ilustre alentejano, que afirmou estarmos perante uma escrita de grande apuro e beleza formal, em que se sucedem memórias de infância, estórias de mar e navegações, e noites de insónia no mato da Guiné, e onde ninguém fica indiferente à narrativa. Considerou também que este livro, para além de uma prova de amizade é um auto-retrato sob a forma de escrita, revelando os traços da personalidade rica e multifacetada do seu autor e, sublinhou citando-o:



“A vida raramente anda a um largo ou de vento em popa!  Bolinar é a nossa salvação. Bolinemos pois que a nortada é rija mas nós somos tenazes!”


A sessão, muito concorrida dado os inúmeros amigos e elementos da família participantes, transformou-se numa natural  homenagem ao Comandante José Júnior, e esteve envolvida por uma atmosfera de grande emoção, com uma das filhas e uma das netas a falarem deste familiar, que precocemente a todos nos deixou em Fevereiro de 2011.


A sua filha Teresa terminou assim a sua intervenção: “Se este livro aqui está, devemo-lo aos camaradas de curso que compilaram algumas das suas histórias. O esforço necessário, para que hoje possamos aqui estar a festejar, só pode ser justificado pela incomensurável amizade que tinham pelo meu pai. Em meu nome, mas sobretudo em nome da minha mãe e das minhas irmãs, quero dizer-vos que a minha gratidão será eterna. Bem hajam.”




O livro, amavelmente editado pela Editora Colibri, além de já estar nas livrarias para venda, mantém-se disponível para aquisição no Clube Militar Naval (10€) e no Museu da Marinha.


Por se considerar de especial  valia, quer pela forma quer pelo sensibilizante conteúdo, a seguir se transcreve na íntegra a intervenção da sua neta de 18 anos, Rita Pecorelli.


As saudades...


de Rita Pecorelli (Notas) - Terça-feira, 23 de Abril de 2013 às 21:49

Dizem que o tempo cura tudo.
Por vezes, ponho isso em questão. É verdade que o tempo apazigua a dor, exausta-nos o pensamento que não pára, nem por um minuto, com memórias de um passado tão presente. Mas curar? Não cura. Somos nós que, aceitando a tremenda verdade, nos permitimos avançar e seguir em frente. Não falo em esquecer, porque boas memórias e bons momentos não podem, nem devem, ser esquecidos. Mas é preciso repousar a alma; é preciso parar, respirar fundo e erguer a cabeça para que, de uma maneira ou de outra, possamos dar uma espreitadela ao que a vida ainda nos tem para dar. Quem sabe não será uma coisa boa.

O importante é não desistir, não deixar que as coisas más se sobreponham àquelas que, por um motivo ou outro, nos fazem sorrir. Não podemos deixar de ser felizes.
Não era isso que o meu avô ia querer. Eu sei que, para ele, foi muito mais difícil deixar-nos aqui ao sabor da maré, às vezes instável, sem qualquer tipo de âncora, sem qualquer garantia de que os nossos pés ficariam bem presos à Terra. Mas para pouparmos a sua alma somos obrigados a criar as nossas próprias amarras, ainda que mais frágeis, pois era ele o pilar que suportava todos os dramas e dilemas da família Ferreira Júnior. E, sem ele aqui, é preciso um esforço maior da nossa parte para que as coisas não descambem.

Mas é engraçado quando refilamos uns com os outros, por razões nem sempre plausíveis, por situações ridículas até, e ele envia-nos um sinal do seu desagrado, a dar-nos na cabeça por discussões que não levam a lado nenhum.
Lembro-me do 1º Natal sem ele. Queríamos fazer bolo de requeijão, mas fomos confrontados com várias receitas do mesmo. A verdade é que se passou o dia a discutir se eram 6 ou 12 ovos, se eram x gramas ou y de farinha, se aquele requeijão era melhor ou pior que o outro. No final, os bolos saíram todos mal, como se fosse o meu avô a dizer: “Bem feita!”


Como esta, há outras histórias, outras memórias, que, dependendo do nosso estado de espírito, nos dão para rir ou para chorar; às vezes as duas coisas ao mesmo tempo.
Porque ainda não é fácil aceitar que ele já não está entre nós. Fisicamente, claro, pois ele está sempre presente em espírito. Hoje e todos os dias. Quase que apostava que ele está neste momento a abanar a cabeça e a achar que somos doidos por publicarmos um livro com os seus devaneios líricos, com os seus pequenos textos que, ainda assim, são capazes de comover os mais sensíveis, ou fazer rir os mais humorados. 
Mas as saudades são mais que muitas; apertam-nos o coração e fazem as lágrimas mornas subirem aos nossos olhos, ameaçando cair à menor distracção. Mas o que me deixa mais triste é o facto de só nos apercebermos o quão importante uma pessoa é para nós quando ela já não está cá.
Não há um dia em que eu não pense nele. Tenho tanto para lhe contar, tantas aventuras por que já passei, e que nunca vou ter o prazer de lhe dizer. Sinto falta do seu sorriso; de quando ele nos punha a mão na cabeça e dizia: “Ai que comichão que eu tenho.”; ou de quando ele ia dormir a sesta numa quente tarde de Verão e ouvíamos, no silêncio e na serenidade da grande casa da Igrejinha, o seu ressonar tão característico; ou de quando ele se atirava para a piscina com um salto encarpado, espalhando água por todo lado e por cima da nossa pele, ainda seca; ou de quando ele encontrava uma lagarta solitária no chão ou na relva e vinha mostrar-nos com um ar traquina, sabendo perfeitamente que íamos fugir assim que os nossos olhos pousassem na inocente criatura. E ria-se das nossas reacções, acabando por devolver o pequeno bicho à Natureza.

Não há dúvidas de que o Zé Júnior, o meu avô, era o melhor avô que alguém poderia ter. Sei que posso falar em nome dos seus outros netos, os meus primos e o meu irmão, pois, realmente, ele faz-nos falta a todos.
E apresentando-vos a minha última confissão, tenho a dizer que, de todas as coisas que eu mencionei, aquela de que eu sinto mais falta é chegar à Igrejinha e ser recebida com a sua calma voz dizendo: “Olha a minha minhoca..”, dando-me de seguida aquela cabeçada levezinha a que eu, e toda a família, já estávamos habituados.




FORÇAS ARMADAS em Portugal


FORÇAS ARMADAS em Portugal
2020-2050

O VAlm Pires Neves elaborou recentemente um artigo publicado no Jornal de Defesa e Relações Internacionais, sobre “ As Forças Armadas e a Defesa Nacional” , muitíssimo interessante, onde defende a necessidade de se esclarecer qual deve ser o SISTEMA DE FORÇAS PERMANENTE.
Para tal parte duma reflexão sobre as Leis em vigor, nomeadamente o Conceito Estratégico de Segurança e Defesa Nacional (CESDN), que condiciona o ciclo de planeamento estratégico e originou a Lei de Defesa Nacional (LDN) e a Lei Orgânica de Bases da Organização da Forças Armadas (LOBOFA).
Recorda  que a actuação das FFAA  desenvolve-se no respeito da Constituição e do Conceito Estratégico Militar (CEM) que deriva do CESDN, aborda  as Missões das FA (MIFA), donde se chega ao Sistema de Forças (SF) e termina no Dispositivo de Forças (DF).
Relativamente ao SF, Pires Neves , recorda que se divide numa Componente Operacional e numa Componente Fixa, mas deixa a dúvida se no caso português tem de ser concebido numa lógica Permanente, para “ Tempo de Crise” ou para “Tempo de Guerra”.

Termina  da seguinte maneira:

Sintetizando: o Sistema de Forças Nacional não nasce por geração espontânea.
Resulta de um exercício complexo de planeamento – estratégico e de forças e se
assim não suceder, o resultado mais evidente será a entrada em disfunção do
próprio sistema de forças existente, ou a inviabilização de um outro, diferente, mais
conforme com o momento estratégico atual e com sua expectável evolução.
Há, neste particular que conhecer, então, e bem, não apenas a estrutura de força
existente, a sua dimensão, mas também a forma como a despesa e a sustentação
dos meios e das forças vem sendo operada e conseguida. Acima de tudo, há que
conhecer com rigor as necessidades efetivas dos ramos para funcionamento e
investimento sustentados. No fundo, há que bem perceber como é que os diversos
planeamentos se interligam, o estratégico e o de forças com os demais
planeamentos, o logístico e o financeiro, ou seja, há que assegurar coerência com
os orçamentos de funcionamento e de investimento dos próprios ramos.
E será justamente este tipo de conhecimento estruturado e não outro que, do
nosso ponto de vista, melhor permitirá prosseguir e sedimentar um modelo de
credibilidade, eficiência e eficácia nas Forças Armadas Portuguesas que todos os
portugueses anseiam e, em concreto, desejam prosseguido e concretizado


O signatário deste pequeno texto concorda em absoluto com a reflexão do VAlm Pires Neves e com a necessidade de se tomarem decisões tendo em conta as Leis em vigor, pois de outro modo gera-se confusão nas Instituições Militares e viola-se um dos princípios populares muito conhecido que diz “ Clarinho, clarinho…para militar perceber!”


Acontece que gosto mais de falar em Capacidades Militares do que no Sistema de Forças, pois penso que o cidadão contribuinte/eleitor deve ter uma ideia daquilo que as suas Forças Armadas , num tempo que é de Paz , devem ser capazes de fazer  de forma imediata , nos 365 dias do ano /24 horas por dia.

Tendo em consideração as ideias-força do recentemente aprovado CESDN, e assumindo que o CEDN , procura defender a NAÇÃO contra faltas de alimentos, energia, recursos financeiros, limitações e incapacidades de transportes e comunicações físicas e digitais, de dificuldades com meios e fármacos para manter a Saúde dos Portugueses, e de faltas de estímulos fundamentais para a mente e espírito, o CDM (Conceito de Defesa Militar) dai decorrente deve ter em consideração os seguintes factos:

A Patria tem um território arquipélago, com grandes distâncias entre as partes, mas muito bem dotado de portos e aeroportos.
Resultado deste território existe um grande espaço marítimo com 2 características totalmente diferentes;
4 % dessa área (espaço entre a linha de costa e a batimétrica dos 800 m) tem recursos biológicos notáveis , onde  a actual capacidade em Esforço de Pesca,  esgota a sua capacidade produtiva sustentável.

96 % dessa área é um enorme volume de agua com recursos biológicos muito limitados; embora seja um “deserto biológico ” percorrido por migradores de alto valor comercial, que sabemos estarem a ser capturados por frotas de países longínquos , fora da nossa ZEE, tudo indica que  essa área tem previsivelmente recursos minerais e energéticos de valor potencial muito grande, mas com uma exploracão, vislumbrada em 2013, como muito dispendiosa e difícil, logo economicamente não rentável nos anos mais próximos.

75 % da Nacão vive no território arquipélago e os outros 25 % estão espalhados pelo Mundo, mas com núcleos notáveis em África e Américas Central e do Sul. Existem também notáveis comunidades em paises da UE politicamente estáveis e pequenas comunidades por todo o Mundo, sujeitas eventualmente , no período em perspectiva, a acções de apoio de emergência.

Perante estes factos o CEM deve enformar legislação de modo a que as FA , no período 2020-2050, disponham com PRONTIDÃO IMEDIATA , 365 dias por ANO das seguintes CAPACIDADES:

MARINHA
Capacidade Submarina com raio de acção indetectavel ate 30 dias e autonomia para atingir em Imersao o Cabo das Tormentas.
Capacidade de Transporte e Projecção de Forca Anfíbia ate 3 DFE’s ( 80 homens cada) ,e 1 DAEsp, ate Cabo das Tormentas e volta a Lisboa.
Capacidade de presença Dissuasora Oceânica de Superfície ate ao limite da nossa ZEE, com meios adequados a um mar muitas vezes alteroso, que permita fazer fiscalização do mar para a costa e não a partir de portos costeiros com os chamados “fantasiosos meios” denominados “ Lanchas Rápidas”
Capacidade de manter Operacional com meios técnicos nacionais todos os sistemas de propulsão e produção de energia, sistemas de Controlo de Fogo e de Posicionamento e de comunicações terra-navio e, navio-navio e navio –SS.
Capacidade de manter em território nacional a prontidão de torpedos e assegurar contratos externos para misseis e armamento pesado.
Capacidade de manter com prontidão a 15 dias, mais 6 DFE’s e 2 DAEsp.
Capacidade de actualizar e melhorar o conhecimento do Mar onde navegamos em Imersao e à  Superfície e divulgar esse conhecimento a quem dele precisa.
Capacidade em avaliar os modos ,e fazer a previsão da propagação acústica no Oceano afecto à nossa ZEE.
Capacidade em identificar no Laboratório do Estado afecto ah Marinha, devido aos custos de haver outro com capacidades de recolha de amostras oceânicas tutelado pelo Min: do Ambiente, por inerente Departamento de Química, dos contaminantes considerados POLUENTES, a partir de conhecida concentração, para a cadeia biológica que ocorre no mar.

FORCA AEREA

Capacidade de Intersecção AR/AR e Ar/Terra-mar contra os meios muito rapidos de ataque aereo, existentes no sec XXI.
Capacidade de operar com prontidão imediata a partir do Continente , da Terceira e do Porto-Santo.
Capacidade de transporte Logístico com Helicópteros entre todo o território nacional e com aviões de asa ate uma distância idêntica à  de Lisboa a Luanda.
Capacidade de detecção, identificação , localização e seguimento de meios aéreos no espaço aéreo de Interesse Nacional.
Capacidade de busca e salvamento em todo o Espaço Marítimo (ZEE).
Capacidade de executar Fotogrametria a partir de aviões, regularmente, em todo o território nacional



EXERCITO
Capacidade de dar formacão militar aos jovens com mais de 18 anos, durante 10 meses, de modo a ser possível organizar a Defesa Nacional para uma Luta de Guerrilha contra invasores do território nacional.
Capacidade de Projecção de forca ate 4 Batalhões de Comandos /páraquedistas
Capacidade de manter Cartografado todo o território nacional em todas as vertentes inerentes ah defesa nacional (agricultura , florestas, vias de comunicação para transporte e energia , gaz ,electricidade) e de comunicações associadas à transmissão de dados informáticos.
Capacidade de operar/ intervir nos sistemas de Observação, Detecao e Infiltração via terrestre , seja por movimentos físicos, seja por fluxos informáticos.
Capacidade de defender todos os Centros de Processamento da Informação digital.

Para se concretizar as Capacidades anteriormente descritas eh preciso haver:
3 Escolas Militares Superiores separadas para se assegurar a SABEDORIA de saber Andar/Progredir/Operar, Disparar e Controlar equipamentos militares,  em terra, mar( Superfície e Imersão) e no ar.
3 Escolas, separadas por Ramos, associadas às Tecnologias e à Sabedoria para progredir em terra , no mar(superfície e imersão)e ar , para formação de Sargentos e Praças
3 Sistemas de Saúde separados para o pessoal do activo e suas famílias. A problemática relativa a reformados e reservistas fora do serviço deve ser assegurada pelo Serviço Nacional de Saúde .
3 Estados Maiores dos Ramos aptos a assegurar a Prontidão dos Meios Humanos e Materiais existentes e assegurar as actividades inerentes ao Duplo Uso dos Ramos Militares , em Portugal no sec XXI.
1 Estado- Maior Conjunto com Comando Completo, para Acções de Intervenção Militar ou participação em missões decorrentes de decisões politicas no âmbito das alianças Militares.

Fico por aqui.

Proponho que se façam as contas e saber quantos são precisos para ter estas capacidades, e qual o investimento sustentado que é preciso garantir. Em termos de Capacidades de Construção Naval os Estaleiros de Viana do Castelo , juntamente com o Arsenal do Alfeite devem passar a ser dirigidos  pela Armada, como empresa publica, através da nossa direção de Construção Naval.

Peco muita desculpa… mas queria contribuir para a discussão das Capacidades Militares e assumir que dispor de FORCAS ARMADAS, que juram Bandeira como nós o fazemos…não é ter EMPRESAS PUBLICAS com ACTIVIDADES DE RISCO QUE PODEM PROVOCAR A MORTE.

José Luís Gonçalves Cardoso
CAlm ref

Quinta-feira, Maio 09, 2013

Mesa Redonda


Recebida, por correio electrónico, do CMG Pedro Lauret a seguinte informação







Que Forças Armadas? (parte 2)





Que Forças Armadas? (parte 2)

1.A terminar um superficial ciclo de reflexões ("O Estado a que chegámos", " Que rumo estratégico para Portugal", "Que Estado", "Que Defesa Nacional (DN)", "Que Forças Armadas" (parte 1), um complemento sobre Forças Armadas (FA), necessariamente genérico. Fazer considerações sobre as FA, como aliás sobre outras matérias estruturantes da sociedade, deve ser feito sem emoções, corporativismos, sem calor excessivo, o que não deve no entanto impedir de se usarem as palavras todas, mesmo quando elas são duras, porque pela evidência dos factos assim retratam bem a triste realidade.
Como outras, FA é uma questão recorrente na sociedade portuguesa. Desde pelo menos 1800. Uma das áreas que devia estar acima das disputas politico-partidárias. Que devia estar resolvida, com o envolvimento directo e persistente de, Presidentes da República (PR), Presidentes da Assembleia da República e deputados (AR), e Governos (GOV). Como vivo infelizmente num País que dá mostras à exaustão de ser pouco evoluído, FA é assunto não resolvido e mais, desprezado. Parece um "não assunto".
Vários dos que sobre ele periodicamente se debruçam, por vezes dedicam-se mais a questionar motivações (algumas até pessoais), a resumir trabalhos em frases destrutivas, a vingar-se de alguém ou da organização de origem, a parecer pagar encomendas e favores, a defender corporativismos sem sentido, a raciocinar (?) como se ainda estivéssemos nas décadas 60/70/80 do século passado, ou como se o mundo fosse agora róseo, e onde todos os países passaram a amigos e a partilhar bens e interesses. É o que me parece muitas vezes.

2.Uma sociedade com comunicação social que informe, investigue, denuncie, é certamente saudável. Sofrendo de desinformação continuada, de episódios inúteis e sensacionalistas, com ausência generalizada de profissionalismo, com repetidas manifestações de desonestidade intelectual, divulgando constantemente demagogia irrealizável, essa sociedade percorre a bom ritmo o caminho do desastre. No que ás FA respeita, a comunicação social raramente trata os assuntos com rigor, isenção e profundidade. Neste 39 anos, devem ser escassas as abordagens de forma lógica e coerente. Tem sido habitual abordar a problemática FA comparando os "gastos" com outros sectores da vida nacional, com carências diversas na sociedade.
A meu ver, houve ao longo das últimas três décadas uma completa perda de tempo, com culpas de todos, mas maioritariamente assacáveis aos poderes públicos, aos políticos profissionais. Infelizmente, creio, continuamos a sofrer de demasiados protagonismos pessoais e, como diz um grande amigo meu, nos tempos de aflição e de emergência, em que nos assaltam horríveis improvisos, tentativas de destruição de referências e permanências, esses protagonismos só afagam "egos", não servem para nada. Como se conseguirá arrepiar caminho? Não é o destino que move a história, mas a vontade dos homens.
Em Portugal houve vontade para "domesticar" (diziam alguns) as FA, e para isso serviu designadamente legislação de 1982 e 1991. E o mais importante? No essencial, julgo, algumas reduções de efectivos e fim do SMO (que algumas sumidades continuam a contestar), algum re-equipamento por muitos contestado, melhor ou pior a Força Aérea (FAP) e a Marinha (MAR) mostrando alguma agilidade de adaptação ás circunstâncias, ainda que com hesitação aqui ou ali enquanto, parece, por parte do Exército, seja observável uma maior dificuldade de adaptação/transformação.

3.Falar de FA como aliás de qualquer outro assunto estrutural, não pode acontecer sem ter em vista o País. Penso que um dos erros, de há longo tempo, é exactamente analisar o assunto como se estivéssemos num laboratório. Acho, aliás, até engraçado, que alguns digam e escrevam que a "população portuguesa perdeu parte do espírito de defesa que a tem caracterizado ao longo dos tempos". Duvido muito que de 1800 para cá, esse espírito estivesse genuinamente enraizado na esmagadora maioria dos portugueses.
Como fazer da instituição militar um instrumento proporcional, e permanente, da soberania nacional? Num país em que, na minha opinião, muito do que respeita a DN e FA, sempre foi tratado um bocado aos solavancos desde 1800? Como se faz isso? Como se faz isto quando, olhando para os últimos 39 anos, esta  área estrutural da sociedade tem vindo a ser tratada com soluções administrativas como se existissem, ou só problemas de carreiras, ou questões burocráticas, ou se a existência de FA deva ser encarada conjunturalmente? As FA são necessárias de facto? E se for inquestionável que são, será que como muitas outras coisas no nosso país, ainda assim devem ser metidas na gaveta, e depois logo se vê? É isso que tem acontecido? Porque se continua, ao mais alto nível do Estado, a não "martelar" os cidadãos quanto à finalidade das FA, o que são e fazem, e porque o fazem?

4.As FA são necessárias? Em artigo anterior já dei a minha opinião. São, indiscutivelmente. A coligação que actualmente nos governa (?) parece também assim considerar, dado que teoricamente se propõe desenvolver uma reforma, a " Reforma Defesa 2020". Quanto aos outros partidos, e da maneira como a AR continua a não se envolver de facto no assunto (é sempre um faz de conta), mantenho as maiores reservas sobre o que aí vem.
Recordo-me do passado recente. Uma coisa me parece certa, a igualdade dos estados é desmentida constantemente, na ONU, na Europa, etc. Vários factores devem ser convocados, e quando conjugados, podem ser reveladores da real capacidade do estado, para se manter com soberania interna e independência (geográficos, recursos naturais económicos e humanos, política estratégica, poder militar, vontade e coesão nacionais, entre outros). Quem pensa nisto estruturalmente?
Vem-me à cabeça a epopeia dos descobrimentos. Não sei como disso se fala hoje nas escolas. Mas estou seguro que, tal como aconteceu com a minha geração e outras, nunca publicamente se refere que o início dessa epopeia foi, curiosamente, antecedido (se a memória não falha) pelo assassinato dos dois mais poderosos membros da nobreza de então. Tudo ficou menos complicado a partir daí. Nada advogo aqui. Recordo só.
Sendo as FA necessárias, estando o País como está, e como se perspectiva, tendo presente como vai o mundo e, sobretudo, presente o interesse nacional global, os interesses nacionais, os objectivos nacionais e as potenciais ameaças relevantes, isto tudo está, dirão vários, agora perfeitamente claro no recente CEDN. Não há espaço para entrar nisso, mas tenho algumas dúvidas. O que quero concretamente referir é que, com o CEDN e tudo o mais que agora está a ser gizado, temo bem que se continue a pugnar pelo "famoso" princípio - "um bocadinho de tudo". Para a macro-estrutura da DN, das FA, dos ramos.

5.Uma defesa autónoma é certamente uma utopia. Ponto. Uma defesa equilibrada num quadro cooperativo, porventura escolha equilibrada. Mas aqui existem riscos práticos, porque muitos permanecem com a ilusão de que os oceanos que nos rodeiam se hão-de evaporar um dia, e tudo portanto alterar no que aos ramos respeita. Porque de facto, para muitos, defesa equilibrada se calhar continua a querer dizer orçamentos sectoriais iguais, contando o MDN e o EMGFA quase ou mesmo como 4º ramo. E quando se fala de capacidades, que é o que deve presidir à estrutura das FA, ainda se encontram pensamentos muito curiosos sobre a questão. Adiante.
Obter ganhos de eficiência, economias de escala, vectores de inovação é uma retórica que só aparentemente é nova. Querer atribuir mais recursos ao produto operacional é interessante. Mas no estado a que se chegou e em que, até hoje, pouco foi dedicado para isso mesmo e para manutenção de meios e, portanto, as verbas destinadas a pessoal somam de facto montantes percentuais enormes, não estou a imaginar como no concreto se altera rapidamente a situação. Em dois anos?
Vejamos uma simples família. Se ao orçamento caseiro pura e simplesmente se retirar o dinheiro destinado a alimentação e saúde, será então fácil dizer ao mundo que aquela família gasta parvamente, em tudo, menos na alimentação e saúde.

6.Reorganizar e racionalizar o MDN, EMGFA e Ramos, racionalizar recursos humanos, reagrupar órgãos superiores da Defesa Nacional, fazer uma abordagem global da segurança nacional. Óptimas metas. Mas antes de tudo o mais, e fazendo um esforço muito grande para não rir perante a afirmação escrita de que as orientações fundamentais da política de defesa nacional foram apreciadas favoravelmente na Assembleia da República, olhemos a factos do passado recente.
Quanto a posturas, já tivemos de tudo. Desde, um apanhar comboio por engano para Lisboa, ou quase viver o cargo mais o partido no edifício rosa, ou o seu inverso, ou discursatas académicas, ou delegações para melhor tomar conta dos negócios. Daí para baixo, também tivemos já elucidativos exemplos de boa condução da coisa pública, quer à civil quer de farda. Mais importante, tivemos certa legislação de 1993 a qual, no respeitante a MDN e EMGFA, bem ilustrou arranjinhos e duplicações. Valerá a pena até recordar como na segunda maioria cavaquista o MDN engordou imenso com civis. Será que de hoje em diante, finalmente, e só para dar um primeiro exemplo para fora, os titulares dos cargos políticos e militares mais importantes no edifício rosa, passarão a ter apenas uma secretária? Ué uma coisinha diminuta, mas sempre muito esclarecedora.

7.Olhando para o presente e para o futuro, que é o mais importante, o que me dá mais que pensar é: como é que em concreto estes políticos e os que se lhe seguirão, vão em dois ou  três anos inverter drasticamente a parcela orçamental para, pessoal, manutenção, funcionamento, operações? Como se altera toda a situação actual, quando, ao que leio logo na "parte I - orientações para o ciclo de planeamento estratégico de defesa", os quadros de empenhamento definidos para as FA são exactamente os mesmos? Em lado nenhum encontrei (lapso meu?) "advertências" para a eventual necessidade de diminuir participações nacionais no estrangeiro, por exemplo. Será legítimo esperar, assim, que os chefes militares "se lancem" como de costume, a ponderar tudo e, daí, resultarem considerações requisitos e listagens de meios, que a realidade política se encarregará de rapidamente meter na gaveta. Como de costume.
Dito de outra forma. Quando se olha para a questão FA (estou a partir do princípio que a montante, finalmente, no meu País se tinha resolvido a DN e a ligação inter-ministerial), tinha que designadamente olhar-se à "coisa" sob um prisma de critérios de adequabilidade, exequibilidade, aceitabilidade. Ou seja, de forma breve, considerações puramente militares, de natureza financeira, e de natureza política. E daí, que compromissos conscientemente estabelecer, que prazos para futuros reequilíbrios, que consequentes vulnerabilidades, que riscos? Não estou a ver que quem saiu das mesmas escolas políticas dos anteriores "meninos", avance agora em direção finalmente diferente. Muito gostaria de estar completamente enganado. Aguardemos para ver.

8.Olhando ao nível de ambição, estou certamente a ver mal, mas pareceu-me que, havendo muita arrumação e fraseologia em princípio diferentes, o sumo não é o mesmo? Força de Reacção Rápida, Forças Permanentes em Acção de Soberania, Conjunto modular de Forças? Isto é tudo novo? Limpinho limpinho? A reconfiguração do Comando Operacional Conjunto já estava na ordem do dia quando prestei serviço no EMGFA. Saí de lá em Setembro de 1995. Percebi mal ou pretendem concentrar tudo o que respeita a comunicações, sistemas de informação, e o tal centro de "ciberdefesa"? Além do que, pergunto, deverá estar tudo concentrado, é prudente? Quanto à cooperação proposta com as forças e serviços de segurança, sendo uma área muito importante e sensível, por diferentes razões e perspectivas, basta atentar nos políticos pós 25 de Abril e no estilo de capelinhas posto em vigor pelos "meninos" do arco da governação como pelos "outros meninos todos", para imaginar com facilidade, quão difícil de concretizar isso será.

9.Detive-me mais de uma vez na curta frase - "Cooperação técnico-militar". É um quadro de empenhamento definido para as Forças Armadas. Já existia! Pessoalmente sempre o considerei importante. Naturalmente que algumas melhorias já devem ter ocorrido nessa área. Mas não consigo esquecer como tudo se desenvolvia em determinados períodos. No edifício rosa e no ramo que bem conheço. Não consigo esquecer o que camaradas me contavam depois de terem estado em África. Não consigo esquecer as por vezes inacreditáveis posturas de alguns com grande responsabilidade. Mas enfim.
Independentemente do que eu possa recordar, do que de mim possam discordar e que respeitarei, a realidade é que a nossa cooperação técnico-militar, em concreto, é capaz de continuar muito fraquinha. Sobretudo quando se vê a vizinha Espanha a actuar numa forma completamente oposta á típica postura portuguesa. E que é, a nossa, muitas viagens incluindo diplomáticas, muitos banquetes, muita festarola mas depois, o que é substancial fica para os outros. Por cá fica a vaidade, a pesporrência, a jactância, e a desilusão de vários portugueses que estiveram no terreno.
Basta ler as últimas notícias sobre o assunto. Basta recordar a título exemplificativo, o que tem acontecido no plano da hidrografia, da navegação, da balizagem, da construção naval. Fico por aqui. Creio bem que a cooperação (?) entre ministérios (MNE e MDN) na matéria em apreço, é bem elucidativa da mediocridade concreta das nossas políticas. E dos nossos políticos. E dos horizontes e visão destes senhores.

10. Que FA? Uma coisa tenho por certa. Enquanto os oceanos não evaporarem, enquanto internacionalmente não nos usurparem a "ZEE e companhia limitada", não retirar da posição geográfica de Portugal as devidas ilações e consequências, será continuar a brincar com o assunto. Não desmantelar definitivamente a actual estrutura do MDN e EMGFA criada em 1993 e sempre "melhorada" posteriormente, será continuar a brincar com o assunto. Como alguns famosos manobradores na sombra, da primeira metade da década de 90 do século passado, continuam hoje eficazes e na sombra, e apesar da excitação que parece ter sido causada pela promessa escrita do compromisso orçamental 1,1% (±0,1), temo que a "Defesa 2020" não tenha grande futuro concreto. Até porque, os agora aparentemente muito satisfeitos por verem um número no papel, se esquecem, creio, de um detalhe, que é o critério "aceitabilidade". Sobretudo se aí vierem eleições legislativas a curto prazo, o que não é uma utopia. Além do mais, a postura dos que continuam a publicamente propalar que se regem pela mais intransigente defesa do interesse nacional, deve ajudar tanto como até agora.

António Cabral, CAlmirante, Reformado

Quarta-feira, Maio 01, 2013

"Que Forças Armadas?" (FA) (parte 1)

Recebido, por correio electrónico, do Contra-Almirante António Rodrigues Cabral, o seguinte texto, e que constitui sequência a escritos anteriores do mesmo Oficial General:




"Que Forças Armadas?" (FA) (parte 1)

Citação 1 -"Grupos diferentes têm que ter tratamento diferente" (Margareth Tatcher)

Citação 2 - "Um bom pastor deve tosquiar as suas ovelhas, mas não esfolá-las" (Tiberius Claudius Nero Caesar)

1. A terminar um naturalmente muito superficial ciclo de reflexões, ("o Estado a que chegámos", "Que rumo estratégico para Portugal", "Que Estado", "Que Defesa Nacional"), 
umas palavras sobre "Forças Armadas" (FA), a complementar com uma segunda parte, então dedicada a coisas mais concretas. 
Em 4 de Novembro de 2002, no Palácio daAjuda, em cerimónia pública importante, foi afirmado - "....é também verdade que tal facto deve ser analisado como reflexo de um mal estar existente nas Forças Armadas Portuguesas…….....as Forças Armadas atravessam um momento particularmente delicado que exige de todos nós visão estratégica e determinação política. A situação é particularmente delicada, porque as Forças Armadas Portuguesas estão a passar por um processo de reestruturação que dura há demasiado tempo. 
Não tem havido estabilidade no comando político desse processo, nem nas opções que progressivamente e, tantas vezes, de forma avulsa, vão sendo feitas".

2. Houve também quem, no passado mais recente afirmasse, por exemplo que - "o presente em nada alterou os fundamentos e a razão de ser das FA"…..…. "mal estar", .. …....."momento particularmente delicado", .….."que exige de todos nós visão estratégica e determinação política",…….... ...."processo de reestruturação que dura há demasiado tempo".

3. Ainda recordando coisas de um passado relativamente recente -  "O ……. não pode ser alheio à definição e concretização de orientações políticas nestas matérias.Necessidade de continuar a pugnar para que a reforma das Forças Armadas seja entendida como um desígnio nacional que deve mobilizar a vontade, a adesão e a determinação dos portugueses. É importante dispor de uma adequada política de informação pública, que proporcione aos cidadãos em geral um melhor conhecimentosobre os temas da defesa nacional e das Forças Armadas, e que catalise a sua receptividade para o esforço de modernização a empreender".4. Como bem se sabe, muitas afirmações sempre muito inflamadas e patrióticas, algumas quase lacrimosas, tem havido e sempre houve. Proclamaram e proclamam a necessidade de pugnar pela "coisa" como desígnio nacional, de mobilizar os portugueses. Pois é, mas pondo de lado, sempre, as acções e atitudes pessoais concretas para que de facto, e com persistência ao longo dos anos, pudessem efectivamente mobilizar os cidadãos com o seu exemplo. Mas o passado recente confirma os maus exemplos e as ausências da esmagadora maioria dos titulares de orgãos de soberania. Um "blá-blá" frequente sobretudo em dias de arengas comemorativas, com o resultado "brilhante" à vista de todos. Como verdadeira cereja agridoce em cima de bolo podre, atente-se naquilo com que nos agrediram nos últimos dias quanto a FA. Lembro-me de um dia ter lido algures, um texto breve, que seria mais ou menos assim: "Portugal seria como uma casa muito isolada, mas tendo um cão de guarda; se havia visitas fechava-se o cão para não embaraçar; à noite soltava-se o animal, e ai dele se não mordia eventuais intrusos".

5. Creio bem, no que respeita ás FA, continuamos neste campo, o do canídeo. Mas não da raça Rottweiler, antes aqueles "lulus" felpudos das "madames", que ficam com um ar ridículo quando tosquiados. Além do mais, atravessando todo o chamado arco da governação, o modelo de subordinação (como deve ser sempre) das FA ao poder político, temsido quase sempre entendido por esse poder, e desde o início da 1ª maioria absoluta de Cavaco Silva, como submissão/servidão, se não mesmo algumas vezes humilhação com laivos de arbitrariedade. Deve exigir-se ás FA que saibam conjugar os verbos subordinar, acatar, racionalizar, cumprir. Mas creio bem que deve primeiro o poder político aprender
a conjugar, de uma vez por todas, os verbos, planear, programar, prover, cumprir, explicar, responsabilizar. A propósito dos vários presidentes da república, depois de Ramalho  Eanes, algum deles endereçou à AR alguma mensagem sobre defesa nacional? E sobre as FA? Creio que nenhum! Ou estou enganado, acerca desta suprema ausência?

6. Quando cada vez mais (digam o que disserem certas sondagens) a opinião pública questiona a utilidade da função militar, é para mim confrangedor ver certa opinião publicada> acirrada e companheira de certos poderes públicos quando, de facto, o que devia ser realidade constante, era todos os titulares de órgãos de soberania insistirem e explicarem a razão de ser da "coisa", porque parte essencial de uma outra "coisa", a defesa nacional. Creio que poucos portugueses quererão o desaparecimento das FA. Outra coisa bem diferente, e com isso estou plenamente de acordo, é o que elas devem ser para hoje e para o que se perspectiva. Mas não me venham agora atirar à cara com - "mais de 40 anos de permanente reestruturação e reforma". Isto deve ser um problema de matemática tardiamente e mal aprendida. É que sobre o 25 de Abril passaram exactamente 39 anos, não 40. Ausência de reformas e acção? Concordo genericamente.  Mas não creio que os militares sejam os maiores ou mesmo únicos culpados pelo lamentável estado de coisas. Estou completamente farto de pantomineiros, que nem sabem ser "betinhos" nem falsos desprotegidos da vida.
 7. Cada vez mais, em Portugal, os objectivos anunciados raramente são os que se pretendem alcançar. Estão há décadas com discursos bacocos, acompanhados que têm sido, quase sempre nestes anos, por subservientes chefes. A polítiquice portuguesa (porque de política como coisa nobre nada tem) vive de discursos falsos, de manipulação de imagens e de factos. O engano, a indecência, e o não deixar alterar nada de substantivo, são marcas deste tempo triste que é o nosso. Algumas coisas que alinhavo hoje, tal como outras anteriores, serão discutíveis. Certamente. Carecerão de aprofundamento. Naturalmente. Mas uma coisa é certa, nunca fui ministro da defesa nacional, como outros que por aí andam, com ar uma vezes professoral outras ameaçador, mas que quando no poder estiveram, nada fizeram para alterar de facto o "statu quo" . Teriam tido medo de, mais tarde, na sua organização, virem a ser prejudicados? Goste-se ou não, sempre houve os que falavam da mesma maneira e sem serem desbocados, independentemente do posto e da época da vida, enquanto outros foram "cantando sempre o politicamente correcto". Agora escrevem livros, falam de cátedra, são muito auscultados, o que lhes afaga o "egozinho", mas nada acrescenta para as FA.

 8. Em democracia os eleitos são o reflexo exacto daqueles que os elegem. Também se sabe perfeitamente quem, nos últimos 30 anos sempre, directamente mas sobretudo na sombra,
> mais se tem oposto a reformas profundas no que respeita a FA. Isto a propósito dos vários porquês de continuarmos hoje em Portugal com as recorrentes discussões, as interrogações, as inações ou, agora e outra vez, com as grandes e finais (?) decisões de um arrumar da casa. A sociedade portuguesa é aquela que temos e não outra. E a história é a que passou e não outra. A questão das FA, dos militares, o seu lugar na sociedade, é recorrente desde pelo menos 1800. A instituição militar tem sido uma realidade indissociável da vida nacional. É preciso ter presente que, no essencial, são dois séculos de perturbações, contradições, tentativas de reorganização da vida colectiva e, na minha opinião, desde há dois séculos uma ausência quase constante de visão estratégica para o País. Penso que não é completamente errado dizer que, ainda hoje, sentimos algumas pequenas ondas de choque da nossa história  em que, naturalmente, os factos das últimas 5 a 7 últimas décadas são mais relevantes.

 9. Todas as nossas constituições (1822 a 1976) tinham / tem preceitos relativos às FA. Creio não estar enganado se disser que três foram elaboradas e decretadas por assembleias constituintes (1822, 1911 e 1976), uma elaborada e aprovada por assembleia constituinte e submetida a sanção real (1838), uma redigida pelo governo e objecto de plebiscito como se sabe (1933), e outra de origem não revolucionária foi escrita e outorgada pelo rei (1826). Curiosamente, e espelho sintomático da sociedade portuguesa, foram publicados 4 actos adicionais à de 1826, 5 leis de revisão à de 1911, 9 leis de revisão à de 1933 e, salvo erro, 7 revisões à actual lei constitucional. A filosofia constitucional vigente da defesa nacional,é considerada transparente por vários constitucionalistas, e o conceito de defesa nacional está constitucionalmente depurado de conceitos abrangentes que possam ser equívocos.
A meu ver, mais uma forte razão para interrogações. Porque continuamos hoje ainda com intervenções e decisões (?) sobre participações no estrangeiro, sobre problemas (?) de modernização, armamentos, percentagens de operacionalidade? Temos aqui o problema dos eleitos e dos ditadores do passado, e dos eleitos outra vez. E dos eleitores.

10. Penso que desde sempre uma das maiores dificuldades do caminho para a reforma e modernização das FA, assunto que devia ser um dos vários temas de não disputa partidária, é o continuar a observar-se os problemas sempre mais ou menos pelas mesmas perspectivas. Com muitos corporativismos. Sempre sem querer ferir os "donos" anteriores. Sempre a recorrer-se a certos especialistas. Aos eternamente donos e senadores das FA, civis e militares. E por isso, a meu ver, mas posso naturalmente estar enganado, persistem muitos equívocos, muita defesa de quintas, quer olhando a quantitativos quer para o umbigo. E em vez de se mudarem as vontades em função da mudança dos tempos, continuamos designadamente há três décadas em "mudança mudada em permanente mudança". Pela borda fora ou quase, portanto, referências e permanências. Estaremos perto de deitar fora o bebé com a água do banho? Estaremos a entrar na fase de não dar banho ao bebé?
 11. Que sentido faz hoje para a maioria dos portugueses, na realidade do seu difícil quotidiano, e não nos "enjoativos" discursos formais (ás vezes quase patéticos) dos formalmente mais altos responsáveis nacionais, que o fortalecimento do poder nacional é vital para o País? Qual o grau de interiorização de conceitos fundamentais no seio da sociedade? Que ressonância têm junto da maioria dos cidadãos, por exemplo, permanências como, democracia, estado de direito, soberania, legalidade, território, independência, segurança nacional, defesa nacional, liberdade, justiça, valores morais? À distinção histórico-tradicional entre militares e civis, eu prefiro a terminologia "paisanos e militares". Porque os militares não aparecem desfalcados de cidadania. Nem são casta à parte, instalada com privilégios a coberto de convenções sem sentido. Não, não são casta à parte, são cidadãos de corpo e espírito inteiros, que abraçaram uma profissão muito especializada. Mas convinha muito não serem dados tiros nos próprios pés. As FA são necessárias? Que FA? A minha opinião numa 2ª parte (Fim da 1ª parte).

 António Cabral, CAlmirante, reformado, saturadíssimo do que se passou e vai passando.