Com a devida vénia transcrevo a seguinte notícia da Agência Lusa:
"Cidade da Praia, 19 Jun (Lusa) - Cabo Verde e Grã-Bretanha assinaram hoje um acordo de fiscalização conjunta do espaço marítimo cabo-verdiano, com o objectivo principal de prevenir o tráfico nesta região do Atlântico.
O acordo, assinado pela ministra da Defesa de Cabo Verde, Cristina Fontes, e pelo embaixador da Grã-Bretanha em Dacar, Christopher Trott, permite a realização de operações de vigilância e patrulhas conjuntas de luta contra o narcotráfico nas águas territoriais cabo-verdianas e na zona circundante do Oceano Atlântico.
O memorando inclui ainda o embarque de agentes da Guarda Costeira e da Polícia Judiciária cabo-verdianas para operações em navios da “Royal Navy” e da “Royal Fleet Auxiliary”, as duas componentes da marinha de guerra do Reino Unido.
Segundo a ministra cabo-verdiana, o acordo vai regular as missões conjuntas de fiscalização", para "garantir a estabilidade na região" através de um "reforço da fiscalização, vigilância e reacção a ilícitos”.
“Este memorando inscreve-se nesta ideia de parceria estratégica para combater os tráficos de todo o tipo e o narcotráfico em especial. Sendo um país da União Europeia, (o memorando com a Grã-Bretanha) inscreve-se no quadro da parceria especial, na construção do pilar Segurança e Estabilidade”, explicou.
O Arquipélago já assinou acordos semelhantes com outros países europeus, nomeadamente a Espanha e Portugal e, segundo a governante cabo-verdiana, está em preparação um acordo do género com os EUA.
Cristina Fontes acrescentou ainda que este memorando cria "um quadro estável" de cooperação.
“As operações serão realizadas de forma coordenada com outras acções dos outros países e o objectivo final é que as águas sob jurisdição de Cabo Verde possam ser controladas ao longo do ano com acções deste tipo”, disse.
Para as autoridades cabo-verdianas esta é a forma encontrada para controlar a sua extensa zona económica exclusiva e já que dispõe de poucos meios para o seu patrulhamento.
“É a forma que Cabo Verde tem encontrado, com a abertura destes países também interessados na segurança nesta zona, para colmatar a falta de meios para controlar áreas tão extensas. Com isso estamos a dar passos para reforçar o controle das águas e garantir que a criminalidade organizada seja combatida mais eficazmente com países que capacidades maior que as nossas”, concluiu.
Cabo Verde e a Grã-bretanha procuram reforçar as relações bilaterais, sendo o sector-chave a segurança, de acordo com o governo.
Durante a visita, o diplomata britânico, encontrou-se com o chefe do governo, José Maria Neves, para discutir as relações entre os dois países.
Um dos primeiros aspectos da visita, conforme avançou Christopher Trott, era discutir a questão da segurança no Atlântico.
“Cabo Verde, pela sua posição geo-estratégica, tem uma grande importância no que concerne à segurança nesta região do atlântico, pois está na rota do narcotráfico e da emigração clandestina para a Europa, pelo que há particular interesse, não só da Grã-Betanha como de toda a União Europeia, em manter e reforçar a segurança nos mares do Atlântico, a partir de Cabo Verde”, disse.
Esta visita e os esforços de maior aproximação da Grã-Bretanha a Cabo Verde estão inseridos também no contexto da Parceria Especial com a União Europeia, em que Trott afirma o apoio do seu país, pois considera que "ainda há muito trabalho a fazer" para o reforço daquela parceria."